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O pecado original dos auditores brasileiros

Tem se verificado algumas vezes em nosso País a tentativa de atribuir culpa aos auditores independentes por fraudes e/ou equívocos cometidos por empresas auditadas e os consequentes danos acarretados a pessoas físicas e jurídicas. Em alguns casos, os profissionais e suas firmas sofrem até mesmo o arresto de bens, antes que possam manifestar-se nos processos.

Observa-se o uso de um conceito, injusto e distorcido, de que auditores expiam uma espécie de pecado original pelos erros e atos de terceiros, em quaisquer circunstâncias e independentemente de cumprirem os protocolos técnicos inerentes aos seus serviços. É como se não fossem eles os primeiros aos quais se procura enganar, com sonegação de informações, dados corrompidos e atitudes furtivas, quando há intenção prévia de se cometer algo ilícito no âmbito de uma emp resa.

Os problemas que têm afetado a profissão, nos poucos casos notados, é tão grave que, de culpado solidário, o que já é totalmente inadmissível, o auditor torna-se o único condenado por ato cometido pela corporação auditada, e esta — pasmem! — é isenta de qualquer responsabilidade. Não é preciso descrever os detalhes desses casos recentes para se entender a gravidade de algumas decisões judiciais que atingem os auditores, responsabilizados em episódios sobre os quais não têm qualquer controle ou decisão. Assim, é importante que se conheça melhor a natureza, abrangência e limites do seu trabalho, para que não se forme uma “jurisprudência de culpa”, que os vai rotulando no País, ao arrepio das normas de auditoria.

Auditoria não é apólice de seguro!  E auditor independente não é garantidor da inexistência de erros ou fraudes nas demonstrações contábeis, não é um certificador da autenticidade do balanço e nem avalista das demonstrações da entidade que audita. A responsabilidade dos auditores independentes, conforme estabelecem as normas brasileiras e internacionais de auditoria, é realizar trabalho visando obter uma segurança razoável, mas não absoluta, de que as demonstrações contábeis das organizações auditadas estão livres de distorções relevantes. Os procedimentos de auditoria dependem do julgamento do auditor e incluem a avaliação da possibilidade de ocorrência de distorção relevante, independentemente se causada por erro ou por fraude. Porém, mesmo seguindo-se rigorosamente os quesitos técnicos, h&a acute; um risco inevitável, e não desprezível, de que algumas distorções relevantes das demonstrações contábeis não sejam detectadas.

A norma descreve que “o objetivo da auditoria é aumentar o grau de confiança nas demonstrações contábeis por parte dos usuários. Isso é alcançado mediante a expressão de uma opinião pelo auditor se as demonstrações contábeis foram elaboradas, em todos os aspectos relevantes, em conformidade com uma estrutura de relatório financeiro aplicável”. As normas profissionais e a legislação aplicáveis definem que é da administração a responsabilidade pela condução dos negócios de uma companhia, pelo estabelecimento de uma estrutura de governança apropriada, bem como pela preparação de demonstrações contábeis fidedignas.

Está muito claro na leitura das normas profissionais que o resultado do trabalho dos auditores depende muito do acesso pleno aos dados das empresas auditadas. Quando informações e números lhes são sonegados ou quando os documentos não representam efetivamente as operações acordadas, eles não têm como identificar essas situações de risco, ou mesmo distorções. Afinal, quem deseja fraudar um balanço, escamotear resultados financeiros e contábeis ou desrespeitar regras legais do mercado não se pauta pela transparência e nem é amigo da verdade. Nesses casos, em especial quando há má intenção, a primeira pessoa a ser ludibriada é o auditor.

Apesar disso, as ações preventivas e intervenções bem-sucedidas das auditorias no sentido de evitar que organizações lesem os seus sócios, clientes e a economia popular são de fato a regra. As exceções referem-se aos casos em que os auditores não conseguem detectar essas distorções, mesmo tendo adotado os procedimentos previstos nas normas. Estas exceções, contudo, considerando o imenso número de empresas auditadas todos os anos, representam percentual ínfimo, mas de grande impacto midiático.

O auditor não é o gestor da empresa auditada, não pode interferir na sua administração e não detém poder de polícia para investigar. Por isso mesmo, a não ser quando se prove concretamente sua conivência (e prova não se confunde com afirmações unilaterais), é injusta a premissa de sua responsabilidade pelo pecado alheio.

 




A Importância da Educação Continuada

Nos primeiros 25 anos de nossa vida, passamos uma boa parte deles em bancos escolares. Desde o primeiro contato com a escola, ainda em fase pré-alfabetização, até o momento em que nos graduamos em uma universidade, são quase 20 anos de construção de nosso conhecimento básico. Imaginem agora o profissional que se gradua em curso superior aos 25 anos e se aposenta aos 65 anos. São 40 anos de trabalho, nos quais ele coloca em prática todo o conhecimento acumulado na primeira fase de sua vida, em especial aquele adquirido durante o curso universitário.

É razoável esperar que ao longo desses 40 anos o conhecimento transmitido durante a primeira fase da vida não evolua? Vivemos um período de mudanças intensas, em que tudo é questionado e novas ideias e tecnologias surgem em ritmo alucinante. Como pode alguém esperar passar 40 anos de sua vida profissional utilizando o conhecimento que foi adquirido enquanto jovem estudante, sem buscar atualizá-lo? É essa a lacuna que se busca preencher com a Educação Continuada.

A profissão contábil, em especial a auditoria independente, tem sido objeto de contínuo monitoramento e escrutínio por parte de toda a sociedade e, sobretudo, pelos principais usuários das peças contábeis produzidas pelas empresas demandadas pelas entidades reguladoras. Particularmente no Brasil, vivemos nos últimos dez anos um período de mudanças intensas, principalmente com a introdução nas normas contábeis internacionais (IFRS) e normas de auditoria internacionais (ISA). Qualquer profissional que tenha se formado em curso superior ou técnico em Contabilidade antes de 2007 certamente aprendeu contabilidade e auditoria com base em conceitos que já se encontram ultrapassados. E mesmo quem se formou depois desse ano não pode se dar ao luxo de esquecer a atualização técnica, face às constantes mudanças nas normas contábeis, de auditoria e regulatórias.

Contadores devem se atualizar às normas em constante mudança

Espera-se que o profissional da contabilidade, seja ele preparador ou auditor independente, esteja absolutamente capacitado para aplicar as normas atualmente vigentes na realização do seu trabalho, sob pena de estar produzindo algo que não atenda às necessidades dos usuários finais das peças contábeis. Essa capacitação somente pode ser obtida através de um contínuo processo de atualização, dentro de um programa de Educação Continuada.

Hoje, infelizmente, o número de profissionais abrangido pela exigência de participação em um programa de Educação Continuada ainda é limitado. Apenas os profissionais contadores que atuam como auditores independentes e que estejam registrados no Cadastro Nacional de Auditores Independentes – (CNAI) estão abrangidos pela NBC PA 12, emitida pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC) e que dispõe sobre educação profissional continuada. O registro no CNAI somente é exigido, basicamente, de auditores independentes que prestam serviços de auditoria de demonstrações contábeis de empresas reguladas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Banco Central do Brasil (BC) e Superintendência de Seguros Privados (Susep).

O ideal seria que todos os auditores independentes, atuando ou não em empresas reguladas pelas entidades acima listadas, assim como os profissionais contadores preparadores de demonstrações contábeis, tivessem também que cumprir com um determinado número de horas de treinamento ao longo do ano como forma de assegurar a sua constante atualização. Exigir Educação Continuada somente dos auditores independentes que atuam em entidades reguladas é deixar de considerar a importância do papel social dos demais profissionais da contabilidade: contadores, auditores ou preparadores. Demonstrações contábeis preparadas por profissionais contadores capacitados e atualizados do ponto de vista técnico, e posteriormente examinadas por auditores independentes igualmente capacitados e atualizados, amplia de forma significativa a relevância dessas peças contábeis para os seus principais usuários, na medida em que transmitem de forma adequada informações relevantes sobre as atividades das empresas e dos resultados por elas alcançados.

CFC defende aprimoramento de todos os profissionais

Felizmente, o Conselho Federal de Contabilidade já discute internamente a extensão da exigência da Educação Continuada também para os preparadores das demonstrações contábeis. O Instituto dos Auditores Independentes do Brasil (Ibracon) apóia essa iniciativa, visto que enxerga os benefícios que resultarão para a profissão contábil como um todo. Enquanto essa exigência não é estendida a outros profissionais contadores, cabe aos auditores independentes com registro no CNAI assegurar o seu constante desenvolvimento profissional, através do pleno atendimento da NBC PA 12.

Garantir esse atendimento não é difícil. São necessárias 40 horas, que podem ser comprovadas através de atividades de docência, preparação e publicação de livros, artigos e estudos acadêmicos, assim como participação em cursos presenciais e à distância, entre outros. Ou seja, com a dedicação do equivalente a apenas uma semana por ano à Educação Continuada, no mínimo, estamos assegurando não só o cumprimento de um requisito formal, mas também a permanente atualização técnica necessária ao nosso desempenho profissional. Nesse processo, o Ibracon atua de forma extremamente ativa e relevante. Membros de sua Diretoria Nacional e de diversas Diretorias Regionais participam da Comissão de Educação Profissional Continuada, que tem por objetivo não só analisar e homologar os processos que lhe são encaminhados pelos diversos Conselhos Regionais de Contabilidade, mas também propor novas disposições que permitam aprimorar a norma.

Ainda, o Ibracon coloca à disposição de associados e não associados uma ampla seleção de treinamentos devidamente credenciados junto aos Conselhos Regionais de Contabilidade, que asseguram aos seus participantes a obtenção dos pontos necessários ao cumprimento da norma. Dessa forma, o Ibracon celebra os progressos alcançados até o presente em relação ao Programa de Educação Continuada aplicável aos auditores independentes e trabalha de forma contínua para o seu aperfeiçoamento e aumento de abrangência.

Carlos Sousa
Diretor de Desenvolvimento Profissional do Instituto dos Auditores Independentes do Brasil (Ibracon)




AUDITORIA NAS PEQUENAS EMPRESAS: Uma saída para a crise

O pequeno empresário muitas vezes é o que sente mais rapidamente os efeitos da crise. Segundo o Índice de Sobrevivência divulgado pelo Sebrae, entre as 1,8 milhão de empresas abertas em 2014, cerca de 600 mil fecharam as portas no ano passado.

As limitações administrativas e a dificuldade de gestão ocasionam descontrole contábil e financeiro, que além da crise, é uma das principais causas do fechamento de pequenas empresas, de acordo com o IBGE.

Antes que a situação fique irreversível, algumas atitudes simples podem ajudar a identificar os problemas e fazer com que as dificuldades sejam sanadas. Uma delas é a implantação de uma Auditoria Independente ou Externa.

É muito comum falarmos em Auditoria nas grandes empresas, mas ela pode se fazer necessária também em empresas de pequeno porte (com faturamento até R$ 3.600.000,00 por ano) trazendo inúmeros benefícios.

Mas o que é Auditoria?

A auditoria nada mais é do que a análise e revisão minuciosa da realidade da empresa em todos os seus aspectos econômicos levantando todos os documentos e registros que possam apresentar alguma irregularidade. O trabalho é realizado por um auditor ou equipe que irá detectar os problemas, propondo alternativas e possíveis soluções.

Existem basicamente duas classificações de auditoria:

Auditoria Interna: é realizada por funcionários da própria empresa e visa fundamentalmente o cumprimento das normas e exigências legais. São de responsabilidade da auditoria interna analisar se as políticas definidas pela empresa e os procedimentos internos estão sendo cumpridos. Esse trabalho é realizado de forma contínua.

Auditoria Independente ou Externa: é realizada por equipe externa especializada sem qualquer vínculo com a empresa. A contratada terá a função de verificar as demonstrações financeiras e emitir pareceres sobre a situação financeira e contábil da empresa. Esses auditores possuem certificação na CVM – Comissão de Valores Mobiliários.

Quais as vantagens da Auditoria Independente nas pequenas empresas?

A principal vantagem na contratação de uma equipe de auditoria independente está relacionada à isenção desses profissionais ao analisar as documentações e apresentarem pareceres reais sobre a situação financeira e contábil da empresa. No caso das pequenas empresas o benefício se estende devido a sua baixa complexidade facilitando a comunicação sobre os sistemas de controles internos e identificando situações específicas a serem solucionadas.

Outras vantagens, mas não menos importantes:

O auditor externo fará uma análise dos gastos desnecessários apontando alternativas eficazes para melhor aproveitamento dos recursos disponíveis.

Reestruturação dos tributos: um planejamento tributário correto e condizente ao tamanho da empresa reflete na diminuição do pagamento desses tributos.

Mais confiança: a auditoria realizada por uma equipe externa propicia mais credibilidade à empresa, o que pode facilitar negociações e até mesmo pedidos de financiamentos aos bancos.

Pensando no futuro!

Se o objetivo do empreendedor é fazer sua empresa prosperar com uma vida longa, um bom planejamento é imprescindível. O primeiro passo para a idealização desse projeto estratégico é estar em ordem com todos os aspectos financeiros e contábeis, o que uma boa auditoria pode proporcionar. Ao identificar os erros e acertos, implantar o corte de gastos e a reestruturação dos tributos, as chances de sucesso, crescimento saudável e longevidade do empreendimento aumentam significativamente.




Ciladas que casais que trabalham juntos podem evitar

Evitar conflitos entre casais que trabalham juntos é o segredo para o sucesso na vida profissional e pessoal.

Como a vida seria muito mais fácil se pudéssemos nos prevenir contra cada problema que apareça no local de trabalho. Mas, se por um lado não podemos evitar muitas coisas, por outro, quando acaba o expediente, a maioria de nós chega em casa, e pode deixar o problema para o próximo dia.

Mas nem todo mundo consegue deixar os problemas profissionais na empresa, afinal, quem divide o local de trabalho com o esposo ou esposa, em algum momento terá que vivenciar algum tipo de conflito dentro da relação.

Para evitar que esse tipo de fato aconteça, ambos precisam ter muita maturidade e, principalmente, entender que as pendências ou erros do expediente não podem ter lugar na vida pessoal do casal.

Como evitar conflitos entre casais que trabalham juntos

Uma das maiores ciladas que casais que trabalham juntos caem é quando um não sabe respeitar o papel do outro dentro da empresa. Se na vida doméstica ambos tomam decisões em pé de igualdade, no trabalho essa pode não ser a realidade.

Ter a esposa ou o marido como chefe pode levar a diversos entre o casal, principalmente quando uma das partes toma qualquer decisão profissional como uma afronta pessoal.

Os dois precisam pensar na empresa como um universo paralelo, no qual não há um casal, mas sim colegas de trabalho. Ambos precisam trabalhar em equipe para o bem da empresa e cada um deve desempenhar sua função, tentando fazer sempre o melhor, a cada dia.

Não caiam na cilada do silêncio

Outra dica importante para casais que trabalham juntos evitarem conflitos é jamais deixar de falar sobre algo que está incomodando. O silêncio pode se tornar um incubador de problemas.

Acontece algo em casa – você deixa passar; acontece no trabalho – você deixa passar; no trânsito, no supermercado, no almoço de domingo etc. – e você deixa passar. Quando perceber, você já está quase explodindo com seu companheiro (a) e, às vezes, no meio do expediente, por qualquer coisinha, você perde as estribeiras.

Dividir a vida com alguém é saber conversar, é saber dizer o que foi feito que não agradou. Coloque sempre os pingos nos ‘is’.

Evite as vingancinhas

Trabalhar junto com familiares pode dar muita dor de cabeça. Principalmente quanto a empresa deixa de ser um espaço de trabalho e passa a ser um local para se vingar de algo que deu errado em casa. Simplesmente pare com isso. Este é o segredo do fracasso e da infelicidade.

Façam terapia de casal

Por mais maduros que você sejam, as vezes não dá para controlar a raiva ou o descontentamento – que nem sempre tem ligação com o parceiro – e, nessa hora, sempre acaba escapando um comentário desnecessário, que vai magoar o outro.

Se casais que não trabalham juntos já estão sujeitos a estas situações, imagina só quem trabalha? Começar a fazer terapia pode ser um divisor de águas na vida do casal.

Através de um bom terapeuta, vocês podem conseguir encarar os problemas de frente e, com a ajuda necessária, vão conseguir sair mais fortalecidos desses problemas.

Tenham um tempo sem o outro

Calma, não estamos sugerindo a separação do casal, mas sim que vocês possam curtir alguma coisa sem que o outro esteja junto. Como já dissemos, casais que não compartilham a vida profissional já estão sujeitos a problemas, e quem acorda junto, trabalha junto, almoça junto, e passa a maior parte do tempo junto, pode estar sujeito a muito mais problemas.

É importante manter alguns aspectos da singularidade. Ir ao cinema, saborear uma refeição com os amigos, passear no parque sozinho, ir à academia, fazer um curso, enfim, encontrar alguma atividade da qual apenas um participe.

Chega de brigas

Finalmente, para evitar os conflitos e resolver aqueles que já existem, os dois tem que aceitar que precisam colocar um ponto final nas brigas.

Só assim, em conjunto, é que o casal poderá solucionar seus problemas. Lembre-se que vocês precisam um do outro, tanto na vida pessoal, quanto profissional.

 




Planejamento tributário exige cautela

 

Leo Caldas/Valor / Leo Caldas/ValorMary Elbe Queiroz: agir preventivamente, declarar e tributar na forma que a Receita Federal entenda como correta

Contribuintes pessoa jurídica devem estar atentos a algumas decisões empresariais que podem impactar também a pessoa física. A Receita Federal poderá desconsiderar uma série de operações realizadas como planejamento tributário por julgar que se tratam de mera simulação. Na prática, o alvo é a tentativa de sonegação, o que pode resultar em processo administrativo que poderá até terminar no Supremo Tribunal Federal e posteriormente motivar ação penal movida pelo Ministério Público. Isso sem contar o pagamento do imposto com multa e correção do valor pela taxa Selic retroativo.

“O momento da elaboração da declaração pessoa física é uma oportunidade de agir preventivamente, declarar e tributar na forma que a Receita Federal entenda como correta”, diz a tributarista Mary Elbe Queiroz, especialista em planejamento tributário.

Em muitos casos o planejamento tributário gera vantagens significativas e muitos preferem arriscar. “O mercado vem percebendo que nem todos os planejamentos considerados abusivos pela Receita o são, tanto que julgamentos dos dois últimos anos no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) têm convalidado uma série de estruturas tributárias”, diz o advogado Eduardo Diamantino.

Especialistas pedem uma lei mais específica que coíba os excessos. Mas a Receita Federal entende que uma legislação assim não é necessária. “Está muito claro. O planejamento tributário abusivo é uma operação estruturada sem propósito negocial, na qual os fatos não correspondem à realidade da negociação, com o objetivo de reduzir tributo”, diz Iágoro Martins, coordenador-geral de fiscalização da Receita.

“Por trás dessa queda de braços eterna está a mudança na interpretação sobre a validade do planejamento tributário”, diz José Henrique Longo, do PLKC Advogados.

Para não serem considerados abusivos, os atos realizados precisam ser verdadeiros e ter um “propósito negocial” que seja indiscutível. “Essa intenção, explicitada por meio de laudo de empresas de consultoria, deve ter razões técnicas, comerciais, societárias e mercadológicas sólidas o suficiente para justificar a adoção do planejamento”, diz Gilberto Luiz do Amaral, vice-presidente do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT).

Um tema que tem gerado muita discussão é o ágio na compra de empresas. A medida provisória 627 proibiu o ágio interno, aplicado em operações de compra e venda de empresas dentro do mesmo grupo empresarial. A Receita autua esse tipo de operação. “Os auditores especializados têm a tarefa de dissecar um ágio válido de outro não autorizado pela lei, mas que tenha a aparência de ágio legítimo”, diz o coordenador da Receita Federal. Situações frequentes de planejamento tributário que podem despertar a desconfiança da Receita estão relacionadas às contribuições para o PIS e o Cofins sobre o spread bancário; depreciação no preço dos ativos das empresas para fins de dedução no IR; fusão, cisão e incorporação de empresas; além de operações que envolvam o pagamento de IOF.

A variedade de planejamentos tributários é imensa. O pagamento de executivos e diretores com ações (stock options) e por meio de participação nos resultados e lucros (PRL) pode ser uma opção. Mas a prestação de serviços por sociedades profissionais, em lugar da contratação de um funcionário, pode ser considerado um caminho para o não pagamento de impostos se a atividade não for condizente com essa modalidade.

O juro sobre capital próprio oferece a possibilidade de a empresa distribuir o lucro entre seus acionistas, titulares ou sócios. O valor é calculado sobre o patrimônio líquido. O acionista pode receber até o limite de 50% do lucro acumulado no exercício e pagar, na pessoa física, menos imposto. A constituição de uma empresa imobiliária para a operação com imóveis pode representar para a pessoa física uma redução no imposto de 15% para 6,75%.

Para as pequenas e micro empresas, a escolha entre o Simples, o lucro presumido e o lucro real é uma opção de planejamento tributário importante. Sandra Fiorentini, consultora do Sebrae, que atua em São Paulo, explica que, por desinformação, esse grupo de empresários muitas vezes faz uma opção de registro sem verificar qual é a opção mais conveniente. Ser do Simples significa recolher em única guia oito tipos de impostos. Mas a simplificação pode não ser o melhor caminho se a produção for destinada a um cliente que trabalha com créditos de tributo, principalmente ICMS. Neste caso, o planejamento ajudará a empresa a verificar a tributação que incide sobre o produto e se o comprador prefere operar com crédito.

A opção pelo enquadramento na modalidade lucro presumido, por exemplo, é mais indicada para empresas que têm poucos custos na cadeia produtiva. Outro ponto a ser considerado: as vantagens de adotar uma ou outra forma de tributação de acordo com o anexo no qual a empresas está enquadrada.

 

 




OS BENEFÍCIOS DA AUDITORIA EXTERNA

Nem só de ressalvas vive a auditoria externa. As empresas precisam notar o quanto a auditoria pode melhorar seus relatórios financeiros.

A cena é comum para quem convive ou é um auditor externo: ao chegar à empresa auditada instala-se um clima pesado, de tensão. Os auditores intimidam e parecem prontos para descobrir e apontar tudo que foi feito de errado pelos colaboradores e administradores da empresa. Mas, olhando mais a fundo, será que a auditoria merece somente a alcunha negativa que carrega?

A função do auditor externo, conforme norma de auditoria vigente no Brasil e consonante com as normas internacionais, em suma, é: obter evidência de que as demonstrações financeiras da companhia estão livres de distorção relevante e como consequência deste processo, emitir seu parecer. O fruto de todo trabalho desenvolvido pela equipe de auditoria é resumido em poucos, porém, importantes parágrafos, que servem para auxiliar os interessados nos números contábeis da empresa a tomar suas decisões.

Antes do parecer, uma equipe de auditores desenvolve um trabalho crítico e usa sua experiência profissional para entender e avaliar todo o ambiente operacional da empresa. Cada auditor ou sua firma de auditoria possui uma metodologia de trabalho, mas nenhum deles foge disto: “varrer” todo o processo da entidade e verificar o seu impacto nas divulgações do balanço patrimonial, demonstração de resultado e demais demonstrativos que entidade deva ou queira divulgar.

O trabalho desenvolvido, embora todos saibam que não tem a finalidade de servir como consultoria, pode trazer benefícios às empresas quando os auditores acabam por encontrar falhas, equívocos ou erros de processo que a entidade não encontrou anteriormente por falta de estrutura ou tempo. A auditoria das demonstrações financeiras requer que o auditor realize diversas etapas para chegar à sua conclusão. Em todas estas etapas podem surgir apontamentos que resultem em benefícios para a empresa auditada.

Um dos primeiros benefícios pode-se notar quando o auditor aplica a norma de auditoria NBC TA 265 – Comunicação de Deficiências de Controle Interno.  Esta norma exige que o auditor comunique à administração sobre as deficiências identificadas durante a execução da auditoria das demonstrações contábeis. Estas deficiências são definidas de duas formas: quando o controle existe, porém não consegue prevenir, detectar e corrigir distorções, ou quando a entidade não possui um controle para prevenção, detecção ou correção de distorções. Assim, o auditor faz esta comunicação que pode ser utilizada pela administração para melhorar seus controles internos, resultando em controles mais efetivos que tornem a operação da empresa mais confiável e menos suscetível a erros.

Passada a fase de avaliação dos controles internos, o auditor ainda segue as demais normas de auditoria aplicáveis ao trabalho, e a maioria delas pode resultar em benefícios ao cliente. É o caso, por exemplo, da NBC TA 540 – Auditoria de Estimativas Contábeis, Inclusive do Valor Justo, e Divulgações Relacionadas. Ao analisar as estimativas contábeis, que como a própria norma diz, não podem ser mensurados com precisão, mas apenas estimados, a criticidade do auditor pode identificar falhas, ou equívocos nas bases utilizadas pela empresa.  Mesmo que estas falhas possam, neste momento, representar ressalvas do auditor, estará aberto o caminho para a revisão e melhor adequação em demonstrações financeiras posteriores.  Pode-se destacar ainda, que a partir da conversão da contabilidade brasileira às normas internacionais em IFRS (International Financial Reporting Standards), o auditor possui conhecimento sobre as divulgações necessárias, e pode alertar a empresa auditada sobre inconformidades às normas em algum dos demonstrativos.

Diante disto, em um ambiente onde a empresa auditada esteja disposta a melhorias contínuas em seus controles internos, processos relacionados à contabilidade e divulgação de relatórios financeiros, a auditoria externa sempre trará benefícios. E diante destes resultados, os sentimentos recíprocos entre auditor e auditado podem ser menos tensos e mais amigáveis.




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